LABORATÓRIO DE MINERALOGIA DO UNIFOR-MG ESTUDA OCORRÊNCIA DE PIPE DE KIMBERLITO EM FORMIGA
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026.
A presença de um corpo kimberlítico no município de Formiga-MG está sendo estudada pelo Laboratório de Mineralogia do UNIFOR-MG. O corpo pertence à série INDAIÁ, já investigada há mais de 45 anos pela De Beers Group em outras localidades. A empresa é líder mundial no setor de diamantes, atuando em toda a cadeia de valor, desde a tecnologia até o comércio.
A identificação do pipe foi possível por meio do cruzamento de dados de mapas e relatórios antigos, o que permitiu localizar uma dessas estruturas dentro dos limites do município. A descoberta possibilitou a coleta de dados e amostras para análise. Os chamados pipes são estruturas cônicas formadas por magmas kimberlíticos que ascendem do manto inferior, a mais de 200 quilômetros de profundidade. Essas formações apresentam idades estimadas entre 82 e 84 milhões de anos e, quando comparadas às demais rochas do município, são consideradas relativamente jovens.
De acordo com o professor Anísio Cláudio, responsável pela pesquisa, a ocorrência é significativa por ampliar ainda mais a já diversificada litologia de Formiga, abrindo caminho para novos estudos científicos. Além disso, há a possibilidade de utilização do material na prática da rochagem, técnica que consiste na moagem da rocha e do saprólito para uso como fonte de nutrientes a médio e longo prazo na agricultura. O kimberlito é rico em elementos como magnésio, fósforo e potássio. Rochas semelhantes já foram analisadas por alunos de Iniciação Científica do UNIFOR-MG, apresentando resultados promissores, e há expectativa de que o curso de Engenharia Agronômica seja envolvido nos próximos estudos. Segundo o professor, a descoberta também pode representar uma nova oportunidade para trabalhos conjuntos com o professor Dr. Alex Almeida em projetos de Iniciação Científica.
Apesar da relevância acadêmica e científica da pesquisa, o professor ressalta que não se deve criar expectativas quanto à possibilidade de garimpo na região, uma vez que estudos anteriores indicaram que esses kimberlitos são bastante estéreis para a produção de diamantes.